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Especialistas divergem sobre o custo financeiro do apagão da AWS

O “apagão” que atingiu a Amazon Web Services (AWS) nesta segunda-feira (20) causou a interrupção de centenas de serviços digitais, de grandes marketplaces como o Mercado Livre a plataformas de delivery como o iFood. Apesar da rápida correção da falha pela Amazon, o incidente levantou um debate complexo entre especialistas sobre o real impacto financeiro do ocorrido.

Consultados pelo CNETS, os especialistas divergiram amplamente. Para Ricardo Hammound, economista e professor da FGV, o prejuízo pode chegar a “alguns bilhões de dólares”, embora ele ressalte a natureza pontual da falha. Igor Lucena, economista e doutor em Relações Internacionais, discorda dessa estimativa, argumentando que o valor seria “demasiado” para uma interrupção de curta duração.

Rodolfo Avelino, professor do Insper e especialista em cibersegurança, defende que é impossível mensurar o custo total com precisão. “Não é possível estimar, porque não é só olhar para as ações da Amazon, mas também olhar para as empresas que tiveram impacto. São dezenas de empresas que estão sendo divulgadas, mas a gente sabe que são milhares no mundo inteiro”, explicou.

Reação do Mercado e Risco de Concentração

Apesar da falha generalizada, as ações da Amazon subiram mais de 1,6% na NASDAQ. Os especialistas atribuíram essa reação à confiança do mercado na capacidade de recuperação e na reputação da gigante de tecnologia. Segundo Hammound, como a falha foi pontual e mitigada rapidamente, “o fluxo futuro de caixa dela não vai ser afetado”. Lucena complementou que a resposta rápida demonstrou a “robustez do sistema mesmo em momentos de crise”.

O incidente, no entanto, expôs um risco sistêmico. A AWS detém a maior fatia do mercado mundial de infraestrutura em nuvem (30%), seguida por Microsoft Azure (20%) e Google Cloud (13%). Juntas, essas três Big Techs controlam mais de 60% do setor. Hammound alerta que essa alta concentração mostra uma “fragilidade sistêmica” para a economia global e brasileira, onde poucos provedores são críticos para o funcionamento do sistema digital.

O mercado de computação em nuvem, impulsionado pelo boom da inteligência artificial, é projetado para ultrapassar US$ 400 bilhões em receitas em 2025.