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Falha na Uber permitiu que motoristas com antecedentes criminais violentos atuassem nos EUA

Uma reportagem investigativa do The New York Times revelou graves lacunas na segurança da Uber nos Estados Unidos. De acordo com o jornal, a plataforma permitiu que motoristas com antecedentes criminais por abuso sexual, agressão e stalking fossem aprovados para trabalhar em pelo menos 22 estados norte-americanos.

A regra dos sete anos e a estratégia de crescimento

O sistema da Uber bloqueia condenações por crimes considerados “extremos”, como terrorismo ou assassinato. No entanto, para outros delitos violentos, a empresa aplica uma janela de sete anos: se o crime ocorreu antes desse período, o candidato pode ser aprovado.

Segundo documentos de 2015 e e-mails de 2018 obtidos pela investigação, essa flexibilização teve motivos estratégicos:

  • Redução de custos: A Uber optou por investir em marketing e rastreamento por GPS em vez de métodos de checagem criminal mais profundos, caros e lentos.
  • Agilidade na frota: O processo de triagem foi descrito internamente por executivos como o “mínimo necessário”, visando não frear o crescimento do número de motoristas.
  • Limitação geográfica: Em 35 estados, a empresa verificava apenas o histórico das regiões onde o motorista morou nos últimos sete anos, ignorando crimes cometidos em outras jurisdições.

O argumento da reabilitação

Hannah Nilles, chefe de segurança da Uber para as Américas, defendeu a política da empresa ao The Times. Ela afirmou que a exclusão vitalícia de pessoas que já cumpriram suas penas seria injusta e que a política atual busca um equilíbrio entre a segurança pública e a reabilitação profissional de ex-detentos.

Dados alarmantes e incidentes reais

A fragilidade do sistema gerou consequências diretas para os passageiros. O jornal identificou ao menos seis motoristas com condenações violentas prévias que voltaram a ser acusados de estupro ou agressão sexual enquanto trabalhavam para a Uber.

Dados internos indicam um cenário crítico entre 2017 e 2022:

  • Frequência de queixas: Uma denúncia de conduta sexual imprópria ou agressão foi registrada a cada oito minutos nos EUA.
  • Defesa da Uber: A companhia minimiza os números, alegando que 75% das queixas envolvem incidentes menores (como flertes ou comentários sobre aparência) e que 99,9% das viagens ocorrem sem qualquer problema.