O governo russo divulgou uma lista de aplicativos desenvolvidos localmente — incluindo redes sociais, serviços de transporte e plataformas digitais — que permaneceriam operacionais mesmo durante interrupções na internet móvel. Esses bloqueios costumam ser implementados para dificultar ataques com drones, frequentemente atribuídos à Ucrânia.
A lista, publicada na última sexta-feira, abrange serviços governamentais online, marketplaces, o sistema de pagamento Mir e o mensageiro estatal MAX. Aplicativos estrangeiros, como o WhatsApp da Meta Platforms (META.O), ficaram de fora.
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Digital, uma “solução técnica especial” foi desenvolvida para garantir a continuidade desses aplicativos locais durante os desligamentos. A pasta afirmou que a medida visa “reduzir os transtornos causados à população pelos cortes de internet móvel, necessários por razões de segurança”.
Embora não tenha havido menção direta à Ucrânia ou aos drones, autoridades de regiões russas na fronteira alegam que as interrupções são indispensáveis para dificultar ataques guiados por internet.
A ação também reforça a estratégia da Rússia de promover serviços digitais nacionais e ampliar seu controle sobre o ecossistema online. Desde o início do conflito com a Ucrânia, em 2022, o país vem limitando o acesso a plataformas estrangeiras, como parte de uma disputa mais ampla com empresas de tecnologia ocidentais.
Monitoramentos recentes revelaram um aumento nas queixas de usuários russos sobre falhas de conectividade no WhatsApp e interrupções no serviço de celular durante o verão.
O ministério afirmou que a seleção foi baseada nos serviços e sites russos mais populares e considerados socialmente relevantes. A lista exclui plataformas como o YouTube, da Alphabet (GOOGL.O), e o próprio WhatsApp, utilizado por 97,6 milhões de pessoas na Rússia em julho, segundo dados do Mediascope.
O Telegram, sediado em Dubai e fundado pelo russo Pavel Durov, ficou em segundo lugar em popularidade com 90,9 milhões de usuários, mas também não foi incluído na lista oficial. Já o VK Messenger, da estatal de tecnologia VK (VKCO.MM), registrou 16,7 milhões de usuários. O mensageiro MAX, também da VK e pré-instalado em todos os celulares e tablets vendidos no país, afirmou nesta semana ter alcançado 30 milhões de usuários.



