A situação financeira da Oi voltou a gerar preocupação após um relatório do Observador Judicial, entregue à 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, indicar que a operadora possui recursos de caixa para manter as operações por um período máximo de nove meses, aprofundando o “risco de pré-falência”.
O documento conclui que a sustentabilidade da companhia depende crucialmente da venda de ativos e de medidas extraordinárias, uma vez que sua atividade principal não está gerando fluxo de caixa suficiente para a manutenção.
Detalhes do Cenário Financeiro
Segundo o Telesíntese, o relatório apontou que a Oi registrou um resultado operacional negativo de R$ 313 milhões entre maio e julho de 2025. No mesmo período, houve uma queda acentuada no pagamento a credores, que foi de R$ 67 milhões em março para apenas R$ 3 milhões em julho.
O laudo também destacou uma dívida de R$ 96,3 milhões com fornecedores essenciais, como a Hispamar Satélites, cujo contrato foi mantido por ordem judicial para evitar a interrupção de serviços estratégicos.
Outro ponto levantado foi o vasto portfólio imobiliário da empresa: dos quase 8 mil imóveis listados, mais de 7,2 mil estão avaliados em cerca de R$ 4,8 bilhões e poderiam ser vendidos. No entanto, grande parte desses bens está atrelada a contratos de comodato com a V.tal (empresa que opera parte da rede de fibra da Oi), o que pode dificultar e atrasar as transações.
A Contestação da Oi
A Oi contestou formalmente as conclusões do relatório em uma manifestação protocolada em 24 de setembro. A operadora argumenta que o documento oferece apenas uma “fotografia” de curto prazo e que a avaliação de sua viabilidade cabe, na verdade, à Assembleia Geral de Credores, e não ao Judiciário.
A empresa alegou que os resultados negativos são reflexo de um período de transição, marcado pela desmobilização de serviços deficitários, como a antiga operação de telefonia fixa em cobre e a antiga TV por assinatura. Em contrapartida, a Oi citou iniciativas robustas para reduzir custos e aumentar a eficiência.
Projetos Estratégicos para Reversão
A operadora listou projetos e ativos que, segundo ela, garantem sua capacidade de recuperação:
- Projeto Oscar: Previsão de desligamento completo das redes de cobre até dezembro de 2025. Esta medida já teria reduzido R$ 745 milhões em custos no primeiro semestre deste ano, com expectativa de economia total de R$ 2,3 bilhões desde 2023.
- Projeto Fênix: Focado na modernização dos sistemas da Oi Soluções (braço B2B), considerado pela empresa como lucrativo e sustentável.
- Ativos Estratégicos: A Oi conta com sua participação de 27,26% na V.tal, avaliada entre R$ 11 bilhões e R$ 13,5 bilhões, além de créditos tributários de R$ 8,3 bilhões e potenciais ganhos de até R$ 65 bilhões em uma arbitragem contra a Anatel.



