O Open Finance surge como uma inovação que concede ao consumidor total autonomia e controle sobre seus dados financeiros, permitindo o compartilhamento seguro entre instituições autorizadas pelo Banco Central (BC) para obter melhores ofertas e serviços personalizados. Segundo especialistas, a iniciativa vale a pena devido à maior praticidade e concorrência, mas exige atenção redobrada à segurança digital.
O advogado Stefano Ribeiro Ferri (especialista em Direito do Consumidor) e o trader Ricardo Pegnoratto (MIDE Mesa Proprietária) explicam o funcionamento e os riscos.
O Funcionamento e as Vantagens do Open Finance
O sistema permite que o usuário compartilhe com quem, por quanto tempo e para qual finalidade seus dados bancários, históricos de crédito, investimentos e seguros.
- Autonomia e Transparência: Ferri destaca que o Open Finance aumenta a autonomia e a portabilidade, criando um ecossistema financeiro mais competitivo e transparente.
- Serviços Personalizados: A integração de dados de diferentes contas possibilita que o cliente receba recomendações de crédito, empréstimos com juros menores e investimentos mais adequados ao seu perfil.
Na prática, o compartilhamento é sempre autorizado de forma explícita pelo usuário em um ambiente padronizado e protegido, o que simplifica a gestão financeira.
Os Riscos e a Ameaça de Fraudes
Apesar da segurança estrutural, o maior risco do Open Finance está na engenharia social e em falhas humanas, conforme alerta Pegnoratto. Criminosos criam aplicativos e sites falsos (phishing) para roubar autorizações indevidas e senhas.
Ferri reforça que o usuário deve ter cautela:
- Verificação de Credibilidade: É crucial verificar a credibilidade das plataformas, buscando certificações oficiais e conexões seguras (HTTPS), já que nem todas as instituições cumprem integralmente as exigências do BC.
- Termos de Consentimento: O usuário deve ler cuidadosamente os termos, conferindo quais dados estão sendo compartilhados, a finalidade do uso e a duração do acesso, revogando permissões desnecessárias regularmente.
5 Dicas Essenciais para Proteger Seus Dados
Para uma navegação segura, os especialistas recomendam a adoção das seguintes práticas:
- Autenticação em Múltiplos Fatores: Use sempre que possível a combinação de senha com códigos (SMS, token) ou biometria.
- Verificação de Domínios: Verifique a URL e a presença do cadeado de segurança na barra de endereço.
- Revisão Periódica: Consulte o histórico de compartilhamento nos apps oficiais e revogue acessos que não são mais necessários.
- Atualização: Mantenha dispositivos e aplicativos sempre atualizados para corrigir vulnerabilidades de segurança.
- Nunca Compartilhe Senhas: O Open Finance nunca exigirá a senha do banco para autorizar um compartilhamento.
Ferri alerta ainda para que o usuário evite links recebidos por e-mail ou redes sociais para iniciar o compartilhamento. O processo deve ser iniciado sempre dentro do site ou aplicativo oficial da instituição financeira.
Perspectivas Futuras
Os especialistas concordam que o Open Finance é uma revolução na relação do consumidor com o dinheiro, promovendo concorrência saudável e empoderamento. No entanto, o sistema deve superar a desconfiança cultural e a necessidade de educação digital para que os usuários entendam os benefícios.
Com o amadurecimento do sistema, a tendência é que os bancos e fintechs invistam ainda mais em infraestrutura e segurança, consolidando o Open Finance como uma ferramenta de inclusão econômica.



