A transição energética — a mudança de um modelo baseado em combustíveis fósseis para fontes mais sustentáveis, como solar e eólica — é essencial para combater as mudanças climáticas. No entanto, o sucesso desse processo não depende apenas de tecnologia e infraestrutura. Ele exige, fundamentalmente, engajamento, compreensão e mudança de comportamento social, o que só pode ser alcançado através da educação.
A Urgência da “Cidadania Energética”
Em artigo no portal The Conversation, o professor Alexandre Beluco, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), defende que ensinar o uso racional da energia é crucial para formar cidadãos capazes de tomar decisões conscientes sobre consumo, sustentabilidade e justiça social.
Quando a geração de energia se torna descentralizada e próxima das pessoas — o que o pesquisador chama de a energia que “mora na vizinhança” —, ela deixa de ser um serviço invisível. Em vez disso, transforma-se em um instrumento de educação, cidadania e decisão coletiva.
Essa descentralização da geração elétrica impulsiona uma transição mais justa, participativa e enraizada nas comunidades locais, com benefícios imensos, especialmente em um país com o potencial de energia limpa do Brasil.
A Escola como Agente de Mudança
Alexandre Beluco argumenta que a transição energética não pode ser imposta. Quando bairros, escolas e associações passam a gerar e gerenciar sua própria eletricidade, o sistema deixa de ser opaco e distante, tornando-se visível e compartilhado.
- Impacto no Comportamento: Projetos como o Procel Educação e Energia que Transforma mostram que as escolas são locais estratégicos para essa formação. Quando os alunos aprendem sobre eficiência energética e impactos ambientais, eles mudam seus próprios hábitos e influenciam suas famílias e comunidades.
- O Fim do Conceito Abstrato: A energia deixa de ser um conceito abstrato ou mítico e se integra à vida cotidiana. É nesse ponto que se constrói a “cidadania energética”: ativa, crítica e comprometida com o futuro.
O pesquisador afirma que o consumidor que está mais próximo da lógica do sistema tem maior capacidade de contribuir para a sua eficiência. Por isso, a descentralização é uma questão não apenas técnica, mas também pedagógica. Popularizar conceitos como geração distribuída, prosumidor e comunidades energéticas é fundamental para garantir que a sociedade participe ativamente e que as energias renováveis atinjam sua verdadeira potência.



