A Apple acatou uma determinação do órgão regulador da internet na China e removeu os populares aplicativos de namoro gay Blued e Finka de sua App Store chinesa, conforme noticiado pela Wired. Este episódio marca mais um retrocesso para a comunidade LGBTQIAPN+ no país, que enfrenta uma crescente onda de censura e restrições em plataformas digitais. Embora os usuários que já possuíam os apps instalados ainda consigam acessá-los, a medida restringe o acesso a novos downloads.
Controle Estatal Crescente
Embora a homossexualidade tenha sido descriminalizada na China nos anos 1990, o casamento entre pessoas do mesmo sexo continua sem reconhecimento legal. Nos últimos anos, o Partido Comunista Chinês tem reforçado o controle sobre a sociedade civil, impactando diretamente os grupos LGBTQIAPN+.
Essa intensificação do controle se manifesta através de:
- O fechamento de diversas organizações de direitos civis.
- A censura de contas e conteúdos nas redes sociais locais.
- O bloqueio de plataformas como o Grindr, retirado da App Store chinesa em 2022.
A Apple confirmou a ação em comunicado: “Seguimos as leis dos países onde operamos. Com base em uma ordem da Administração do Ciberespaço da China, removemos esses dois aplicativos apenas da loja chinesa.”
Impacto nos Usuários e Serviços de Saúde
A remoção dos aplicativos não limita apenas o acesso a espaços digitais de convivência, mas também prejudica serviços de saúde e apoio. A BlueCity, empresa controladora do Blued, chegou a oferecer uma farmácia digital e uma clínica de telemedicina voltada a homens, fornecendo tratamento para ISTs e disfunção erétil.
A companhia confirmou que o Finka, que era exclusivo da China e já havia sido removido anteriormente, foi adquirido pela empresa. Além disso, a BlueCity renomeou a versão internacional do Blued para HeeSay no início de 2024, visando mercados como Índia e Filipinas.
Blued: Um Símbolo Além do Namoro
O Blued, que chegou a ter mais de 49 milhões de usuários, desempenhou um papel crucial na visibilidade e no apoio à comunidade na China. Seu fundador, Ma Baoli, chegou a se reunir com o então vice-primeiro-ministro Li Keqiang em 2021 para discutir a prevenção ao HIV – um raro sinal de aceitação institucional.
Contudo, apesar de manter programas reconhecidos, como um projeto de testes de HIV premiado em Pequim, o espaço para iniciativas LGBTQIAPN+ encolheu consideravelmente. A incerteza agora reside na possibilidade de os aplicativos retornarem às lojas digitais após as revisões exigidas pelo governo chinês.



