Um grupo de pesquisadores brasileiros irá investigar a evolução das galáxias utilizando o telescópio ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), no Chile. O objetivo do grupo é desvendar como os buracos negros supermassivos (Núcleos Ativos de Galáxia – AGN) influenciam a formação de estrelas e a estrutura de sistemas galácticos inteiros.
O grupo faz parte do projeto BAH (“Blowing Star Formation Away in Active Galactic Nuclei Hosts”), que significa “Suprimindo a Formação Estelar em Galáxias com Núcleos Ativos”.
O Que Será Investigado e Como
Os AGN são buracos negros supermassivos em processo de captura de matéria, o que gera um disco de acreção que emite radiação e partículas, conhecidas como ventos (outflows).
O projeto BAH se concentrará no gás frio (próximo ao zero absoluto, -273,15 ºC) em cinco galáxias, que é o material que se aglomera para iniciar a fusão nuclear e formar novas estrelas.
Conforme explicou o doutorando em física Lucas Ramos Vieira (UFSM), o objetivo é “investigar o gás frio que alimenta o buraco negro supermassivo no centro galáctico e forma novas estrelas. Essa é a peça que faltava para fechar o quebra-cabeça formado com outros dados já obtidos”.
Em um estudo anterior (2021), o mesmo grupo utilizou o Telescópio Espacial James Webb (JWST) para analisar o impacto dos ventos no gás morno em oito galáxias. Agora, com o ALMA, a equipe busca compreender como esses outflows impactam a formação estelar no gás frio, fornecendo informações cruciais para aprimorar os modelos cosmológicos de formação e evolução de galáxias.
A Tecnologia de Ponta e a Ciência Brasileira
O ALMA, conhecido por ser o telescópio com a maior resolução em ondas milimétricas já construído, é fundamental para o projeto. Localizado a 5 mil metros de altitude no deserto do Atacama, ele é composto por 66 antenas metálicas que captam ondas milimétricas e submilimétricas. Essa capacidade é essencial para detectar detalhes e coletar dados sobre as nuvens de gás frio, cujas moléculas emitem radiação nessa faixa.
Os cientistas brasileiros envolvidos no projeto pertencem à Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), onde a pesquisa é comandada pelo professor Rogemar Riffel, e à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O projeto também conta com a participação de pesquisadores da Espanha e dos EUA.
Os dados do estudo serão recebidos no próximo ano e analisados nos laboratórios das universidades brasileiras. A conquista é um motivo de orgulho para a ciência nacional, com o pesquisador Lucas Ramos Vieira destacando a qualidade e excelência das instituições públicas de ensino superior do país, que contam com apoio financeiro do CNPq, CAPES e FAPERGS.



