O Brasil acaba de inaugurar, em Campinas (SP), a maior e mais avançada fábrica de mosquitos do mundo, construída pela empresa Oxitec. Essa nova unidade é vista como uma das principais estratégias para reduzir drasticamente os casos de dengue, zika e chikungunya no país, respondendo a um apelo global da Organização Mundial da Saúde (OMS) por tecnologias inovadoras e econômicas de controle de vetores.
A inauguração ocorre em um momento crítico: no ano passado, o Brasil registrou um número recorde de 1.179 mortes por complicações da dengue.
“O Brasil sofreu surtos devastadores de dengue nos últimos anos: a urgência de ação nunca foi tão grande. Com o novo complexo da Oxitec em Campinas, estamos equipados para responder imediatamente aos planos de expansão da Wolbachia do Ministério da Saúde”, afirmou Natalia Verza Ferreira, Diretora Executiva da Oxitec Brasil, garantindo que a tecnologia pode chegar rapidamente a comunidades em todo o país.
Produção em Escala Inédita e Tecnologias
A nova fábrica supera a capacidade da antiga maior produtora, a Wolbito do Brasil. O novo complexo terá capacidade para fornecer até 190 milhões de ovos de mosquitos com Wolbachia por semana, o suficiente para proteger anualmente até 100 milhões de pessoas.
A instalação produzirá duas tecnologias distintas de controle biológico, ambas baseadas na liberação de mosquitos em áreas urbanas:
- Mosquitos Wolbachia: Desenvolvida na Austrália e reconhecida pela OMS e pelo Ministério da Saúde do Brasil (PNCD). A bactéria Wolbachia, que ocorre naturalmente em muitos insetos, é introduzida no Aedes aegypti para reduzir sua capacidade de transmitir dengue, zika e chikungunya. Projetos-piloto já comprovaram a redução da transmissão da dengue em mais de 75% em grandes áreas urbanas. É ideal para grandes campanhas de saúde pública lideradas por governos.
- Aedes do Bem: Um método da Oxitec que usa mosquitos modificados para reduzir a população do Aedes aegypti em mais de 95% em comunidades. É voltado para intervenções direcionadas de supressão de mosquitos em pontos críticos.
Próximos Passos
Embora a tecnologia Wolbachia já esteja sendo implementada pela Fiocruz há mais de uma década, a Oxitec ainda aguarda a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para dar início à produção em massa dos mosquitos.
As autoridades de saúde expressaram total interesse em viabilizar a tecnologia. “Temos todo o interesse para encontrar uma solução para que [a tecnologia] seja disponibilizada”, disse o Dr. Fabiano Pimenta, secretário adjunto da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente.
A expansão da produção de mosquitos Wolbachia e Aedes do Bem pode significar uma redução significativa nas epidemias de dengue no Brasil. Você acredita que essa é a solução mais promissora para o controle de vetores a longo prazo?



