Mais de 2.500 terminais do serviço de internet via satélite Starlink foram desativados em Mianmar, no Sudeste Asiático, sob suspeita de estarem sendo utilizados em operações de fraude. De acordo com relatos da imprensa internacional, esses golpes incluem fraudes amorosas (estelionato sentimental) e esquemas de investimento que vitimam pessoas ao redor do mundo.
Nesta semana, o Exército de Mianmar anunciou o desmantelamento de uma grande operação de golpes online na fronteira com a Tailândia. A ação resultou na detenção de 2.198 pessoas e na apreensão de 30 terminais Starlink no complexo KK Park, um local conhecido por sediar centros de cibercrime. As autoridades locais associaram as atividades fraudulentas ao grupo rebelde União Nacional Karen, embora a organização tenha negado qualquer envolvimento.
Segundo a Agence France-Presse (AFP), essas regiões fronteiriças abrigam “fábricas de fraude” administradas por quadrilhas chinesas, que operam com o apoio tácito de milícias locais. Existem relatos de trabalho forçado e tráfico de pessoas nesses locais, com milhares de trabalhadores resgatados em operações anteriores.
Como a Starlink não possui licença para operar em Mianmar, a desativação dos equipamentos pode ter sido realizada por meio de “geofencing” (a criação de uma fronteira virtual que impede o funcionamento dos dispositivos na área) ou pelo bloqueio individual dos terminais. O Escritório da ONU sobre Drogas e Crime (UNODC) já havia reportado a apreensão de cerca de 80 antenas Starlink em 2024, como parte dos esforços para limitar o cibercrime na região.
Uso do Starlink em Fraudes Ganha Atenção Global
As operações de fraude originadas no Sudeste Asiático ganharam repercussão internacional, levando a senadora democrata dos Estados Unidos, Maggie Hassan, a exigir que Elon Musk tome medidas mais rigorosas para impedir o uso do Starlink por golpistas.
Hassan está à frente de uma investigação do Congresso sobre o uso indevido do serviço em esquemas de golpes e criticou a SpaceX por não ter reconhecido publicamente a utilização do Starlink em fraudes regionais.
No entanto, os bloqueios foram confirmados nesta semana por Lauren Dreyer, vice-presidente de operações comerciais da Starlink. A empresa assegurou que opera em conformidade com as leis locais nos mais de 150 mercados licenciados e colabora com autoridades policiais internacionais. A Starlink também reforçou seu “compromisso contínuo” com a detecção e prevenção do uso indevido de seus serviços por criminosos.



