CNETS Onde o Online é Notícia

Telecirurgia robótica com internet de baixo custo é realizada de forma inédita no Brasil

O grande diferencial do experimento foi a utilização de uma infraestrutura convencional de internet, com múltiplos provedores e VPN ponto a ponto criptografada. O custo total da conexão foi inferior a 5% do padrão global tradicionalmente exigido para telecirurgias.

Apesar da infraestrutura de baixo custo, o procedimento demonstrou alta performance e segurança:

  • Utilizou o robô MP 1000 da Edge Medical, com console médico e braços robóticos de alta precisão.
  • O sistema operou com failover automático (troca de conexão em caso de falha) e latência média de 45 milissegundos, superando padrões internacionais.
  • Não houve perda de pacotes de dados, com largura de banda acima de 100 Mbit/s.

O feito, segundo Gualter Ramalho, da Unimed, “inaugura o conceito da cirurgia digital inclusiva,” visando democratizar o conhecimento médico, capacitar equipes e aumentar a segurança e qualidade para pacientes ao transformar a distância em proximidade.

Avanços Nacionais em Telecirurgia:

Este avanço experimental soma-se a outro marco recente no país: a primeira telecirurgia robótica não experimental feita integralmente no Brasil. Neste procedimento, o urologista Rafael Ferreira Coelho, do Hospital Nove de Julho, operou um paciente com câncer de próstata a mil quilômetros de distância, utilizando o robô Toumai.

A precisão da telecirurgia robótica é notável, eliminando tremores e reproduzindo os movimentos do cirurgião com fidelidade. O delay (atraso) do robô Toumai foi inferior a 30 milissegundos, sendo praticamente imperceptível. Estudos indicam que essa tecnologia pode reduzir em 25% os riscos de disfunção erétil e em 10% os de incontinência urinária em cirurgias de câncer de próstata.

Apesar dos resultados positivos, a Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS) divulgou um parecer contrário à adoção da prostatectomia radical robótica no SUS, citando a baixa qualidade das evidências científicas apresentadas e os potenciais impactos orçamentários. No entanto, uma consulta pública anterior demonstrou que 99% dos participantes apoiam a integração dessa tecnologia na rede pública de saúde.